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Que mundo é esse, André Fran?

Sempre em busca de uma boa história pra contar, jornalista conhece os lugares mais inusitados do planeta

Por 2min
23 de fevereiro de 2020 Atualizado em 25/02/2020 às 17:52

No Instagram do jornalista André Fran você vai ver até uma selfie dele com a família, com a Torre Eiffel ao fundo. Mas esse tipo de situação é o que você menos vai ver por lá. Muito mais normal é esbarrar com imagens de Chernobyl, onde máscaras contra radiação foram largadas no chão de uma escola de Pripyat, evacuada às pressas na época do acidente nuclear. Ou uma cena de mulheres caminhando de burca pelas ruas de Teerã. Ou ainda de viagens pela Arábia Saudita e pela Coreia do Norte, dois dos países mais fechados do mundo, onde poucas equipes de TV estrangeiras puderam pisar antes dele.

Acha arriscada essa rotina? Pois em Bagdá, capital do Iraque, ele ouviu de um taxista:

— Você é do Rio de Janeiro? Ai, meu Deus, que lugar perigoso!

Ao contrário do que pode parecer, porém, a ideia de “Que mundo é esse?”, programa da GloboNews apresentado e dirigido por ele, não é buscar aventuras para super-heróis.

— Nosso objetivo nunca foi mostrar lugares perigosos, nem posar de destemido. A gente quer mostrar lugares sobre os quais as pessoas têm pouco acesso a informação. Seja por conta de um desastre natural, seja por causa de um conflito recente ou por questões geopolíticas e econômicas, que fazem com que as notícias cheguem até aqui deturpadas – diz o jornalista.

Fran não é um novato nisso. Há dez anos, havia criado com amigos o programa “Não conta lá em casa”, no Multishow, que tinha alguma semelhança com o atual.

— Foi um cartão de visitas. Antes era um reality show com uma pegada de jornalismo, e agora é jornalismo com uma pegada de reality show, documentário e cinema, tudo misturado. Mas sempre indo às principais pautas que estão rolando.

Esgotei passaportes por falta de espaço. E por questões políticas, tenho um segundo

Em outubro passado, foi ao ar o programa sobre a Ucrânia, motivado pelo sucesso da série “Chernobyl”, disponível na HBO, que recria o clima do maior desastre nuclear da história.

— Já tinha ido a Chernobyl antes, e está a mesma coisa, a natureza tomando de volta, tudo abandonado. Hoje a gente vê ônibus chegando, a turistada tirando selfie – diz Fran, que também é comentarista de política internacional da Globonews.

Na Arábia Saudita, que não mantém relações diplomáticas com o Irã, André foi obrigado a sacar um passaporte não carimbado no país do aiatolá Khamenei.
— Já esgotei passaportes por falta de espaço. E por questões políticas tenho um segundo, já que com o carimbo de um país pode ficar difícil de entrar em outros – diz Fran.

Entre suas coberturas mais marcantes está a da crise dos refugiados.
— Nossa ideia era mostrar todo o trajeto, que era viajar do Líbano, Síria, Iraque, fugindo da perseguição do Estado Islâmico, indo pra Turquia e cruzando pra Grécia. Lá, era aquela coisa de chegarem dezenas, centenas de botes. E a gente ajudou até a tirar criança da água. Porque antes de sermos jornalista somos humanos.

A essa altura, provavelmente você já se perguntou como é fazer uma mala para uma viagem desse tipo. André Fran responde:

— Tem que ter praticidade, porque às vezes que eu começo filmando na praia, atravesso o dia numa estrada no deserto e termino a jornada entrevistando um ministro. Então precisa ser uma roupa confortável na praia, mas apresentável para uma entrevista formal. E tem também a questão do conforto.

A propósito: como as roupas da Reserva.

— São o tipo que eu levo nas minhas viagens. Sou bem basicão. Camisa preta, calça jeans, tênis – e que não seja aqueles de corrida.

Assim dá pra ficar bem em qualquer selfie, em qualquer cenário.