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No Dia do Turismo, setor amarga queda de 84%, mas empresas reagem para sobreviver à crise do coronavírus

Por 2min
8 de Maio de 2020

 

8 de maio é Dia do Turismo. Uma data que não tem motivos para ser festejada, neste período de isolamento social, em que o setor foi o mais afetado pela crise: a queda foi de 84%. E o baque vem no momento em que finalmente se chegava aos patamares em que estava antes da crise de 2015. Como todos os demais ramos de atividade econômica, o Turismo vai precisar se reinventar para sobreviver.

A retomada, porém, vai demorar a chegar especialmente para o setor, porque o vírus também trará um novo comportamento (medo de falta de dinheiro, de contágio nos aviões, de estar longe de casa em caso de doença e até de as atrações não estarem funcionando totalmente).

Segundo uma pesquisa realizada pela plataforma Viajala, de busca de voos, 27% dos brasileiros nem imaginam quando voltarão a fazer as malas, e 31% não acreditam que viajarão antes de outubro. Isso em relação a viagens domésticas. Para voos internacionais, o panorama é ainda pior: 66% sequer imaginam quando poderão viajar novamente.

Quem conseguiu interpretar os dados do Covid-19 enquanto ele se limitava à Ásia e à Europa certamente saiu na frente. Foi o caso do Hurb, agência de viagens online, que tem atuado num patamar de Black Friday (por exemplo, voos a Orlando por R$ 999 em 12 vezes) em vendas para daqui a um ou até dois anos. Resultado: as vendas aumentaram.

– Vimos uma mudança no comportamento dos viajantes antes, já dava para imaginar e prever o que aconteceria quando o vírus chegasse ao Brasil, por isso, adaptamos rapidamente nossas condições para remarcação e cancelamento, oferecendo isenção de multa e de diferença tarifária para remarcação – diz Karyna Accioly, diretora de Operações do Hurb, que enviou uma carta aberta aos viajantes no dia 28 de fevereiro, portanto mais de duas semanas antes da decretação da quarentena no Brasil. – Adaptamos também a nossa estratégia também de marketing e produto logo no começo de março – diz.

Segundo pesquisa realizada pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, em inglês), em 2018 o setor de Turismo era responsável por 10,4% do PIB mundial, gerando 319 milhões de empregos ao redor do globo – um em cada cinco dos criados de 2014 para cá – e US$ 8,8 trilhões. Ainda não se tem noção de quanto encolherá este ano. Mas a torcida do setor é para que o estrago seja menor já no segundo semestre.

– No momento, acreditamos que a partir de agosto o cenário já tenha estabilizado, e as pessoas poderão começar a voltar a viajar. Estamos recomendando aos nossos viajantes que fiquem em casa, seguindo a quarentena, e adiem suas viagens para o segundo semestre – diz Karina Accioly.