Viajar

Quem tem medo do Irã?

Em tempos de paz, país é um prato cheio para quem gosta de conhecer novas culturas, indica André Fran

Por Tiago Petrik
2 de março de 2020 Atualizado em 09/03/2020 às 18:16

Em janeiro deste ano, a tensão entre Estados Unidos e Irã chegou ao ápice, com muitos especialistas apostando numa declaração de guerra. Felizmente, o clima bélico não durou mais que alguns dias, embora a região seja um barril de pólvora há décadas. Se você não é dos que fraquejam por qualquer coisa (nem mesmo por conta da ameaça do coronavírus e do dólar estratosférico), então anota aí: o Irã é imperdível. Quem assina a dica é o jornalista André Fran, apresentador do programa “Que mundo é esse?”, da GloboNews.

– De todos os meus projetos, esse foi um destino legal por quebrar paradigmas. Todos esperavam ver na TV um país de terroristas, extremistas, fundamentalistas, e a mensagem e a lição que a gente trouxe foi de um país seguro, ordeiro, intelectualizado. E que, claro, discorda muitas vezes das interpretações que seu governo faz das leis islâmicas, como a gente também discorda do nosso governo – diz André. – Então é um lugar que eu recomendo até para os meus pais visitarem. Tem estrutura boa, segurança, pode viajar com calma e tranquilidade, muita cultura, muitos lugares históricos bem preservados, é um prato cheio pra quem gosta de viajar e conhecer diferentes culturas.

Fran esteve por lá em duas oportunidades, e conheceu Teerã, além de Xiraz, Yazd, o deserto, Isfahan (“onde tem uma das mais lindas mesquitas”) e Persépolis (na verdade, as ruínas da antiga cidade persa). A capital, uma cidade com 8,5 milhões de habitantes – quase um terço a mais que o Rio  – é diversa, desenvolvida e, segundo André, “até certo ponto, cosmopolita”. Então não pense que apenas a deliciosa comida árabe tem vez por lá:

– Tem restaurante francês, italiano, pizzas e massas incríveis. E, um detalhe curioso: como eles não têm relação com os Estados Unidos, não há presença de empresas americanas no Irã. E não tem as mesmas leis do Ocidente de propriedade privada ou intelectual. Então é comum encontrar por lá McDonald’s fake, é bem curioso.

Sim, piratas no deserto. E que deserto!

Tem restaurante francês, italiano, pizzas incríveis. E é comum encontrar por lá McDonald’s fake

– Para fazer a mala apropriada depende da época. Se for no verão, tem que ser roupa bem leve, porque perto do deserto chega a fazer quase 50 graus. Muitos comércios acabam abrindo só no fim do dia. Antes disso não dá nem pra botar o pé na rua. Então leve roupas leves, claras – recomenda André Fran. – Em outras épocas, aquele trunfo que eu sempre uso, que a Reserva me ajuda muito: roupas que servem para todas as ocasiões, desde aquelas apropriadas para andar no calor brabo como para usar à noite, uma calça comprida de tecido leve, boa para ir a um restaurante ou a uma reunião importante – diz. De março a maio e entre setembro e outubro as temperaturas costumam estar mais amigáveis.

André considera os iranianos “o povo mais hospitaleiro que há”. E diz que, até para mulheres, o país é relativamente respeitoso.

– Claro que ela vai ter que seguir algumas regras, como o lenço e roupas compridas. Mas muita gente tem esse Irã extremista e radical na cabeça, o que não é verdade. Outros países muçulmanos são muito mais opressores, como a Arábia Saudita ou o próprio Egito, que é superturístico, e lá a mulher precisa se cobrir mais, ou usar burka. Então o Irã é mais tranquilo, claro que respeitando a cultura local. Vi muitas mulheres viajando sozinhas, andando nas ruas e se locomovendo em segurança pelo Irã, que é um prato cheio pra quem gosta de viajar.

Do Rio e de São Paulo, é possível chegar ao Irã após 20 a 30 horas de viagem, sempre com escalas. A passagem custa por volta de R$ 5 mil, mas também depende da época do ano e da antecedência da compra. Para hospedagem, não há Airbnb por lá, mas em sites como o Trivago há uma ampla oferta de hotéis. Os preços costumam ser acessíveis, já que o Rial (não confundir com o nosso Real) está desvalorizado. Aliás, é bom levar ao Irã uma calculadora: cada moeda brasileira vale 9.400 iranianas.

Dicas de viagem

História

O Irã fica onde esteve, no passado, o Império Persa. Seus sítios arqueológicos são riquíssimos, alguns deles elevados à condição de Patrimônios da Humanidade pela Unesco. Persépolis e Pasárgada (lembra do poema de Manuel Bandeira?) foram capitais, e por lá marcharam Ciro, Dario e Xerxes.

Mesquitas

O Irã é um país de maioria muçulmana, e algumas de suas mesquitas são tidas como verdadeiras obras de arte. Em Isfahan, é imperdível a Mesquita Real, também conhecida como Mesquita de Imã Khomeini, que conta com mosaicos impressionantes. Em Xiraz, não deixe de visitar a Mesquita Rosa ou Mesquita Nasir-ol-Molk, com vitrais que não devem nada aos da Notre Dame de Paris.

Deserto

Com 454 mil habitantes, Yazd é a maior cidade do mundo fincada num deserto – e outro Patrimônio Mundial da Unesco. Outra dica para sentir o calor iraniano é acampar sobre as dunas do Deserto de Varzaneh, que fica perto da cidade de Isfahan. Tours com jantar, traslado e acomodação saem a partir de 30 euros.

Costumes

Se você não dispensa um brinde, atenção: talvez o Irã não seja seu destino. As bebidas alcoólicas são banidas no país dos aiatolás. Mulheres devem cobrir a cabeça, e mesmo homens não devem andar com braços e pernas à mostra.

Conexões

A internet é censurada por lá. Então você não terá acesso à maioria das redes sociais – mesmo o Whatsapp não é 100% liberado, então avise à família, antes de ir, que as mensagens poderão ser mais esparsas.

Transportes

A malha de transportes, tanto aérea como terrestre, é de fazer inveja à nossa. Você se desloca de trem, ônibus e avião para todas as principais cidades.

 

 

 

 Para levar na mala:

Calça moletom alfaiataria

Camiseta básica 

Tenis Hero

Jaqueta de couro